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A MANCHETE

 

Na Faculdade Max Planck, especialmente este semestre, estou lecionando no curso de Pedagogia. Muito interessante e enriquecedor para minha formação e meus pensamentos e posicionamentos acerca da Educação no Brasil.

Estamos trabalhando nesta segunda metade deste semestre, a questão da leitura e da escrita. Estamos analisando cuidadosamente o que se fez e o que se pode fazer para formarmos melhores leitores e redatores no Brasil.

Por conta disso, fiquei pensando nesses dias em uma Manchete. Um dos capítulos do Livro da professora Kleiman que estamos usando para fundamentar nossas análises, referia-se a um exemplo de texto de jornal, questionando a existência e importância da Manchete para o texto.

Em relação a visita do Senhor Presidente do Irã podíamos encontrar algumas manchetes como:

 

CHEGOU O DIABO

POUSA HOJE NO BRASIL A PRINCIPAL AMEAÇA AO MUNDO

O NOVO HITLER ESTÁ NO BRASIL

A REENCARNAÇÃO DO MAL VEM AO BRASIL

O ANTAGONISTA DO MUNDO CONTEMPORÂNEO ESTÁ NO BRASIL

O DIABO EM PESSOA ESTÁ NO BRASIL

O QUE LULA QUER COM O IRÃ

 

Maldita ou bendita linguagem. Cumpridora de seu dever, impõe e desagrega. Basta ao leitor entender.

 



Escrito por Emerson Sitta às 21h11
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O SENADO E EU

Acho que já disse em alguma outra oportunidade que o Senado me apaixona. Sinto que se pudesse concorrer a algum cargo público, faria para o Senado Federal Brasileiro. Eu vejo lá, pois quase que diariamente assisto a TV Senado, é claro que apenas uma meia hora, às vezes uma hora, um clima de discussão, um certo formalismo e é claro uma importância incrível para o Brasil.

 

Evidentemente, que nesses últimos tempos, o Senado tem apresentado mesquinharia, corrupção e até colocando em dúvida sua importância, mas assim mesmo me sinto atraído por aquele Plenário, a tribuna e os discursos.

Gosto de ouvir o Senador Mão Santa, especialmente aprendo muito com ele a questão da oratória. Diz ele a verdade muita vezes e de modo duro, mas é claro que nunca se permite desvincular-se de ideias sujas de seu partido e de seus aliados quando, por exemplo, em uma sessão elogiava o ex-presidente Collor de Melo. Gosto também de ouvir o Senador Mário Couto defendendo os aposentados. Impar sua expressão. Senador Cristovam Buarque é um dos melhores. Em Itu, quando esteve, pude apertar sua mão e entregar uma carta escrita pelos alunos. Personalidade rara.

Para mim, ainda, apesar de alguns escândalos e palhaçadas de sua parte e de sua família, o Senador Suplicy é o melhor. Queria usar as mesmas palavras que ele. Com mais força é claro.

Bem, acho que nunca vou realizar tal feito. Talvez...

 



Escrito por Emerson Sitta às 20h57
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ESSA TAL LINGUAGEM. DEPOIS DIZEM QUE NINGUÉM CONSEGUE DOMINÁ-LA.


 

 

Foto: Letícia Moreira

 

 

Texto da Folha de 17 de novembro de 2009: Placa da Prefeitura de São Paulo em Marsilac, na zona sul da cidade, em que a palavra "transitar" virou "transar" depois de alguém mudar de lugar as letras, que são adesivas.

 



Escrito por Emerson Sitta às 21h55
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FILHOS E NOVOS OLHARES

 

Não preciso dizer que ainda estou encantado com meu filho. Algumas pessoas que me desculpem, mas sempre que posso falar sobre ele, eu exagero. Bem, a verdade é que ele sempre me surpreende. Não propriamente a mim, mas minha visão sobre a vida.

Agora, na fase em que está, tudo para ele é uma novidade. Ele quer ver, pegar e pôr na boca. Aí pensei: puxa, estamos tão cansados de ver as coisas, as mesmas coisas, e ele não, olha para tudo como se fosse a primeira vez.

Esta é uma das muitas lições que meu filho tem me dado.

Espero não perder o desejo de descobrir nunca mais.



Escrito por Emerson Sitta às 21h34
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INTENCIONALIDADE

 

Hoje, no nono ano, fiz a leitura do conto A Cartomante de Machado de Assis. Impressionante como a leitura é sempre revigorante. Por mais que se conheça a história, sempre nos prendemos em novos detalhes.

Outro fato importante foi a colocação que fiz para os alunos dos indícios que Machado de Assis vai deixando pelo texto. É preciso pontuar muito bem que algumas palavras, expressões, sinais de pontuação, colaboram decisamente para o desfecho da história.

Sinto-me sempre que consigo realizar tal leitura como de fato um professor que sempre sonhei ser. Vejo nos olhos dos alunos, de poucos infelizmente, uma expressão nova, um olhar de interesse e de surpresa.

Acredito que desde sempre, desde muito cedo, as aulas de literatura e redação deveriam ter mais peso. Deveriam ter mais produção do que tem hoje.

 

Semana que vem espero a apresentação dos seminários dos outros contos do livro.

 

 

 



Escrito por Emerson Sitta às 16h45
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BUZINA NELE

 

Buzina é coisa de terceiro mundo. Que porcaria é essa de ouvir buzinas o dia todo. Tem gente que buzina para cachorro, para pomba, gato, gente e sem querer. Difícil viver sem a buzina no Brasil, onde ainda pensamos que podemos tudo dentro de um carro. Buzinamos para as meninas, para alguém nos atender, podíamos usar a campanhia. Enfim, buzinamos para viver sem perceber. Num mundo dominado por carros, buzinar é um sintoma comum, um deslize que ninguém mais nota. É como atender celular no restaurante, antes era um desrespeito, mas agora atendemos em sala de aula mesmo. Mas a buzina nos dá segurança também. Outro dia eu buzinei para um carro lerdo que estava na minha frente, ele não se mexeu. Pensei que ele fosse pular, andar mais rápido. Nada. Não deu a mínima. Fiquei com medo depois, mas dentro do meu carro naquele instante eu usei a buzina como uma arma. Eu devia fazer como Chacrinha para todo mundo. Imaginem se de tudo que não gostamos, pudéssemos buzinar. Chega um malandro perto de você e pede um real, você diz que não tem, ele insiste e pede cinquenta centavos, aí você fica bravo e buzina. Vem um eletricista na sua casa e te cobra oitenta reais para ligar um cabo a outro e você buzina. Você compra um ar condicionado de uma marca conceituada no mercado, eles demoram 40 dias para entregar e quando instalado ele não funciona, aí você buzina. Você quer assistir um jogo decisivo do campeonato que envolve o seu time e a globo insiste em transmitir Corinthians e Avaí, aí você buzina. Quando faltam letras, livros, história e cultura, você buzina. Devíamos ter uma buzina no bolso. Talvez o celular tenha esse recurso, logo que no apagão notei que ele tem uma função ainda não divulgada pela propaganda, muito menos pelos jovens que fazem tudo, menos usar o celular como telefone, ele pode servir de lanterna. Agora não precisamos mais sair correndo para pegar uma vela, basta usar o celular que está sempre perto da mão. Buzina para o celular, principalmente quando ele desperta às seis da manhã todos os dias.

 

Foi uma buzina esta mensagem.

 



Escrito por Emerson Sitta às 18h49
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MINHA VISÃO SOBRE O APAGÃO

 

Na verdade, o APAGÃO é uma metáfora da realidade brasileira

 

 

 

 

 

                                                                          quando você pensa que está pensando autonomamente

 

 

 

 

                          e isso não temos como reverter, infelizmente.

 

 

 

 

         a alternativa ao descaso é a aceleração

 

 

                                                               uma mentira que nos contam há muito tempo

 

devíamos ter mais                                                                                    no meio político

 

E e s n S t a, p o e s r, p e a e iludi o



Escrito por Emerson Sitta às 15h08
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bRASIL E Brasileiros

 

Em diversas leituras, correções quero dizer, observo que muitos alunos escrevem Brasil com letra minúscula e brasileiro com letra maiúscula.  Olhando por esse ângulo é uma verdade afirmarmos que o Brasil é um país paradoxal, porque seus cidadãos parecem valorizar sua postura como brasileiros e no mesmo instante se esquecem completamente de respeitar o nome da nação.

 

Deveria ser um erro grave, mas não é. Às vezes Brasil aparece com "z" ainda. O que este corretor pode fazer? Seguir a norma e dizer que substantivo próprio é com letra maiúscula e que brasileiro não precisa ser com letra maiúscula ou investigar mais a fundo esse comportamento estranho e paradoxal?

Como a língua e a linguagem podem nos oferecer tantas ideias sobre o que somos, enquanto povo, verdadeiramente!

 



Escrito por Emerson Sitta às 16h45
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SOBRE O CASO DA MENINA QUE FOI EXPULSA DA UNIVERSIDADE

 

... daqui a pouco ela terá um programa na televisão...



Escrito por Emerson Sitta às 16h33
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REPUBLICO O JÁ PUBLICADO PORQUE VEJO QUE NÃO HÁ OUTRA SAÍDA AINDA...

 

 A SAÍDA É CANTAR ...

 

Vejo os conflitos do mundo, um clichê maior que ele próprio.

 

Vejo os finais de namoro, um propósito para continuar vivendo.

 

Vejo os dias quentes demais, um lapso se alastra na minha memória.

 

Vejo os olhares furiosos, tenho vontade de pedir a razão.

 

Vejo os movimentos rápidos e ríspidos, mergulho em solidão.

 

Vejo os sorrisos irônicos, sinto desprezo pela falta de compreensão.

 

Vejo os senadores sentados, tenho vontade de levantar.

 

Vejo os meninos pulando na piscina, tenho vontade de mergulhar no mar.

 

Vejo os preferidos morrerem, repenso minha solidez ética.

 

Vejo os miseráveis terem uma chance, desconfio plenamente.

 

Vejo em inglês o que poderia estar em português, rio de nossa própria ignorância.

 

Vejo o lucro crescendo e o desperdício aumentando, acalmo meus ânimos com chá, bebida que não gosto.

 

Vejo os horrores promoverem horrores, sinto medo das obviedades.

 

Vejo os príncipes morrerem de tédio, admiro os combatentes.

 

Vejo os mortos se levantarem, tenho medo de ser um deles.

Vejo o mundo ser um mundo injusto, tenho vontade de destruir o que sei que não sou mas parece que sou.

 

Vejo o senhor dizer bom dia, alerto meu filho para o que é a vida.

 

Vejo o corpo sangrento morrendo na multidão, penso em voltar para casa.

 

Vejo o rádio tocar músicas de antigamente, penso em ser um homem de antigamente sabendo do futuro.

 

Vejo o silêncio ser quebrado por pouca coisa, penso que a coisa que somos deve ser menor ainda.

 

Vejo um paredão de pedras, agrido minha impotência.

 

Vejo um louco descendo a ladeira, tento imitá-lo debaixo do chuveiro.

 

Vejo um cachorro correndo atrás de alguma coisa que não vejo, quase corro com ele.

 

Vejo um pouco de tudo no pouco que sou, me dá vontade de entender o que sou.

 

Vejo que isso nunca acaba, tenho vontade de escrever para o resto de minha vida.

 

Vejo e vejo e vejo...

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por Emerson Sitta às 10h29
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MIGUILIM - JORNAL DO INTEGRAL ITU

Destaco hoje o editorial da última edição do Miguilim. Apenas para esclarecer, o Miguilim é um jornal feito pelos alunos do colégio Integral Itu com orientação deste professor e também da jornalista Sarah Vasconcellos.

 

Parabéns aos alunos desta edição, Gabriel, Thales do Pinho Morgado, Henrique, Thamiris, David e Giovana.

 

obs.: é por projetos e resultados assim que seguimos em frente.

 

Atualmente, a mídia que compreende os grandes jornais e as grandes emissoras de TV e Rádio, além da internet, está abordando sobre o maior acontecimento nos últimos tempos no país e no mundo: a Infuenza A, mais conhecida como Gripe Suína.

O vírus H1N1, causador da gripe, pode passar dos porcos por proximidade com seres humanos. A gripe pode ser transmitida como já sabemos pela tosse ou pelo espirro de pacientes infectados, ou seja, ela pode ser transmitida pelo simples contato entre as pessoas. Por esse motivo se tornou uma pandemia.

Segundo o Ministério da Saúde, para prevenir o contágio é necessário lavar as mãos com sabonete e evitar contato delas com o rosto, com os olhos e os ouvidos e, ainda, evitar ficar em locais fechados com aglomerações de pessoas.

Desde o surgimento da Epidemia no México, segundo a ONU, milhares de casos já foram registrados ao redor do mundo. O Brasil já se tornou o país com o maior número de casos de morte por H1N1 do mundo ultrapassando a Argentina com o número de 557 mortos. Só em São Paulo, foram registrados 42 casos de morte. Por conta disso, 18 milhões de vacina devem chegar ao país.

Escolas e Universidades Públicas e Particulares de toda a nação adiaram o início das aulas, devido a grande aglomeração de alunos que propiciaria a transmissão do vírus rapidamente, consequentemente, elevando o número de casos no país.

Apesar de todas essas novas questões da vida moderna, continuamos a surpreender e aprender com esses novos desafios. A mesma força que mantemos para conhecer e progredir, mantemos para nos aceitarmos e valorizarmos o que somos. Fazendo assim uso de um atributo muito comum ao homem, sua capacidade de raciocínio.

O escândalo do apagão em 2001, por exemplo, trouxe uma conscientização da população brasileira em relação à economia de energia elétrica. Da mesma forma, acredita-se que a Gripe tenha promovido a mesma consciência, no entanto, em relação a importância da higiene por parte da pessoas. O ato de lavar as mãos, que antes era um hábito sempre ignorado, passou a integrar a rotina dos brasileiros.

            A humanidade sempre esteve disposta a transformações, sempre que esteve a frente de alguma situação de perigo Foi assim o que ocorreu com a chegada dessa pandemia, pois que a população mundial deu valor a um hábito antes esquecido e agora importante que poderia evitar o contágio e transmissão dessa doença: o Hábito de lavar as mãos. 

           

 



Escrito por Emerson Sitta às 15h18
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UMA DAS COISAS QUE ME FAZ VIVER

"Como pode alguém tornar-se um pensador sem passar pelo menos um terço do dia sem paixões, pessoas e livros?"

 

(NIETZCHE - (1886))



Escrito por Emerson Sitta às 10h36
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COMO PODE UM PEIXE VIVO VIVER FORA DA ÁGUA FRIA?

Às vezes me assusto, não devia. Infelizmente crescemos da mesma maneira que fomos explorados. Inventamos, destruímos, negociamos, prejudicamos, burlamos, desrespeitamos, damos um jeito, mentimos...

 

OLHEM PARA ESSA MANCHETE:

Câmara aprova projeto de lei que exige nível superior de professor do ensino básico

 

Isto não pode ser verdade. Mas é.

 

OLHEM PARA ESSA OUTRA MANCHETE. ESTA É QUENTE. ESTÁ NA FOLHA DE HOJE. PRIMEIRA PÁGINA.

 

No Brasil, Cristo teria de se aliar a Judas, diz Lula.

 

Perguntas:

 

a-) Como um professor pode ser professor sem ter feito graduação?

b-) Por que só agora a exigência do diploma para lecionar virou lei?

 



Escrito por Emerson Sitta às 12h05
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POESIA NOVA

Estou mergulhado em poemas. Não são meus é claro, mas de um poeta histórico: Armando Freitas Filho. Leio e releio, me surpreendo e me vejo. Sinto-me ultrapassado às vezes, outras um mero imitador.

 

Recomendo e continuo comendo, apreciem:

 

"Escrever é arriscar tigres

ou algo que arranhe, ralando

o peito na borda do limite

com a mão estendida

até a cerca impossível e farpada

até o erro - é rezar com raiva."

 



Escrito por Emerson Sitta às 21h33
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ARGUMENTO DE PROVA CONCRETA

Eu sempre digo aos meus alunos que o argumento de prova concreta é o mais forte. Oriundo de uma pesquisa feita por uma instituição séria, é praticamente incontestável. Vejamos o exemplo abaixo, publicado na Folha de hoje.

 

73% das motos ameaçam pedestres na faixa.

 

Mas há outro efeito interessante que poucos percebem, quando usamos os dados estatísticos: o impacto. Neste caso parece um terror, uma situação de guerra. Não pensamos nem desejamos para ninguém atravessar ruas ou avenidas em São Paulo depois que lemos esse dado.

É isto também uma estratégia do redator. Mas como eu disse poucos alunos percebem isso.

 



Escrito por Emerson Sitta às 20h55
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