A POESIA DOS HOMENS
Dias desses me perguntaram a diferença entre poesia e poema. Respondi como manda a teoria. Poesia: expressão. Poema: expressão no papel. Fico confuso, penso e repenso, tomo e retomo. Acredito na expressão livre, mas também penso na arquitetura dos versos, na engenharia. Sempre me perdi nos conceitos literários, meus estudos resolveram isso. Porém, não resolveram minha angústia em dizer, expressar o que me engana e me sufoca de uma forma que é minha, de um jeito que é meu, de uma poesia que é a minha vida. Eu me bati várias vezes, subi montanhas em dia de sol para chamar os poetas que morreram para me explicarem o que faz um verso ser verso. A teoria resolveu isso para mim. Não que tenha aceitado completamente, mas percebi algo novo dentro das minhas dúvidas. A paixão de viver poeticamente se intensificou, pois além de ser e escrever poesia, eu pensava em transformar, inventar. Eu vi no vento que sopra versos em meus ouvidos, um detalhe que me encantou ainda mais. A música daqueles versos eram arquitetura, eram a engenharia. Em vez de chamar, passei a caminhar para ser chamado. Interropia agora o sopro para detalhar o que sentia enquanto vivia a construção do poema. Tudo passou a ser mais sufocante e delirante. A expressão lírica alcançou, pelo menos na minha cabeça, um desejo de libertação. Aceitei naqueles instantes de luta com a viagem que sempre me encantou, que a necessidade de dizer estava condicionada ao que entendia que era minha poesia. Eu não estava mais morto, não era um poeta morto, mas um moleque que ousava inverter palavras para expressar e para tentar fazer a expressão ser expressão. Passei a ver nos poemas que escrevia a linguagem sendo manipulada. Nunca até hoje consegui compreender o que me guia quando expresso, mas tenho certeza do que sei quando a linguagem me indaga. É verdade que não posso me dizer revolucionário, porque não sei o que veem os outros poetas em meu poema. Não almejo a forma, sirvo-me dela para lustrar a eternidade de outros poemas. Dar passos em torno da poesia e tentar ser o próprio poema. É isso que me faz viver hoje. expressão - papel e expressão papel - expressão e papel E ainda não digo que isso resolva aquela dúvida. Poesia e poema ou poema e poesia. Intuição ou razão ou razão ou intuição. Expressão ou expressão papel.
Escrito por Emerson Sitta às 19h57
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MOTO, CARRO, ÔNIBUS E CAMINHÃO
Por um lado pensamos em desenvolvimento, mas por outro pensamos em subdesenvolvimento. Complicado entender. Parece ser tão complicado entender o ser humano, porém quando vislumbramos o desenvolvimento tecnológico, imaginamos que esse aspecto particular do homem desapareça. Infelizmente, isso não acontece. Ou talvez, fique mais evidente ainda. O que pensa um cidadão que pilota uma moto com escapamento aberto, produzindo um barulho insuportável? Não quero me alongar, acredito que não haja necessidade. Todo nós conhecemos bem esse exemplo. Igualmente em se tratando de carros, ônibus e caminhões. Para finalizar, apenas queria observar que existe uma lei que proíbe esse tipo de barulho e, também, no caso de poluição excessiva. No entanto, pela quantidade que vejo de motos barulhentas, carros velhos, ônibus e caminhões soltando fumaça preta, entendo que a lei não está sendo cumprida. E isto tem acontecido aqui em Itu, numa cidade pequena, imaginem em uma cidade grande. Mais um registro.
Escrito por Emerson Sitta às 19h30
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BRASIL OU BRESIL
Faço uso hoje de uma crônica de Veríssimo. Acho que sintetiza tudo o que pensamos de uma forma bem humorada. Aliás, uma de nossas melhores qualidades. Sempre estamos fazendo piada de nossa desgraça. Em Amnésia Existem a Polinésia, a Indonésia e, pouca gente sabe, a Amnésia, um pequeno arquipélago no Pacífico cuja principal indústria é a fitinha para amarrar no dedo e lembrar o que não se quer esquecer, que os amnesianos costumam usar nos 10 dedos da mão, inutilmente, pois nunca se lembram por que estão usando. Quem acha que o Brasil é o país mais sem memória do mundo não conhece a Amnésia, que inclusive se classificou para as finais da última Copa do Mundo mas esqueceu de ir, ao contrário do Brasil, que foi mas esqueceu o futebol. A profissão mais valorizada na Amnésia é a de historiador-romancista. Como ninguém se lembra de nada por mais de 15 minutos, os historiadores inventaram uma história grandiosa para o país que inclui até uma guerra contra os Estados Unidos, que ganharam, vários reis malucos e ditadores divertidos e heróis nacionais como o inventor do spray nasal e um amante da Rita Hayworth, além de muitos recordistas olímpicos e cinco vitórias na Copa do Mundo. (...) Amnésia também é conhecida como exportadora de garçons. Quase todos os imigrantes de Amnésia que você encontra no mundo são garçons. É fácil reconhecê-los porque são os que esquecem o seu pedido. Em Amnésia isto não era um problema porque quem pedia sempre esquecia o que tinha pedido e aceitava o que o garçom trouxesse, mas em outros países garçons amnesianos têm ouvido alguns desaforos. Que logo esquecem (...). Os políticos em Amnésia são todos corruptos. Os escândalos se repetem mas as comissões parlamentares reunidas para investigá-los começam, invariavelmente, com seu presidente perguntando “Alguém se lembra por que estamos reunidos aqui?”. Como ninguém se lembra as comissões são desfeitas, até o escândalo seguinte, quando ocorre a mesma coisa. Já houve a sugestão de se formar as comissões antes dos escândalos, que são previsíveis, pois acontecem com a mesma regularidade com que são esquecidos. A sugestão foi aceita e logo esquecida. Há pouca renovação entre dirigentes e parlamentares amnesianos porque o público esquece o que eles fizeram e os reelege. Políticos que estão no poder há anos fazem campanha com o slogan “Finalmente uma cara nova” em todas as eleições e levam o voto do eleitor insatisfeito mesmo que não lembre bem com o quê. Leis são promulgadas, esquecidas, nunca exercidas e muitas vezes promulgadas de novo – e esquecidas de novo. Em Amnésia os computadores têm memória, mas ninguém se lembra pra que serve. É bom viver no pequeno arquipélago de Amnésia, onde ninguém cobra dívidas, guarda rancor ou tem o que contar ao psicanalista, a não ser que invente. Os historiadores-romancistas providenciam as lembranças que ninguém tem. Se Amnésia se classificou para as finais da Copa – pelo menos tem quase certeza que se classificou, faz tanto tempo – e esqueceu de ir, por que não botar na história que foi e ganhou? Num país sem memória onde tudo é faz de conta, o passado pode ser o que a gente escolher. VERISSIMO, Luis Fernando. Jornal Zero Hora, 12 de outubro de 2008
Escrito por Emerson Sitta às 15h05
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COLLOR IMORTAL
Vivemos as consequências de uma explosão que ainda não entendemos. Fernando Collor de Melo foi eleito imortal da Academia Alagoana de Letras. Nunca escreveu um livro, apenas um esboço do que viveu em 1992. É um horror, um nojo, um sarro, uma sátira. Um absurdo sem tamanho. Falta de clareza, de comportamento ético, de escrúpulos, de coragem. Falta de vergonha e muita safadeza, intriga, domínio, poder ilegal. Nunca, dessa maneira, seremos um país sério, pois além de termos esses péssimos exemplos na política ainda teremos que aguentá-los na literatura. Infelizmente, é apenas consequência de outros exemplos como Sarney e Marco Maciel. Deve ter sido uma bela jogada de marketing desses políticos. Assim, teriam respeito. Literariamente eu os odeio. Literatura de porta de banheiro público. Lixo. Enganação e falta de caráter. Está registrado!
Escrito por Emerson Sitta às 10h21
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Eu vou por tudo sem acento
E isso, nao tem mais acento. Pode escrever, fazer do jeito que quiser. Todo mundo entende, mesmo que o entendimento seja incompleto. O acento e marca de quem se preocupa demais com o que dizer. Melhor viver sem se preocupar. Dizer o que vem a cabeça, dizer palavra por palavra sem pensar em outra coisa que nao seja a propria palavra. Eu devia entender assim, aceitar talvez. Mas dificil viver com tantas transformaçoes. Eu sei que posso me livrar deles, que podemos entender tudo que queremos, mas esse pode ser o perigo. Entender tudo o que quisermos. Afinal, para que deve servir a regra? Eu pergunto, mostro, ninguem responde, entende, compreende. Ninguem se apaixona pela atitude de acentuar. Do mesmo modo, ninguem se apaixona pela atitude de deixar de acentuar por uma razao, por um motivo claro. "Quem tem vivido assim, sem pensar em nada, anda perdido entre tantos nadas. Um dia se precisar perderá a razão e pensará em tudo. Deste dia então, teremos força e paixão numa só palavra."
Escrito por Emerson Sitta às 10h54
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